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Novo denuncia diretor da PF por viagem financiada pelo Master

Banco investigado teria arcado com custos de evento em Londres

O partido Novo apresentou duas denúncias contra o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. O motivo é a participação dele em um evento em Londres que teria sido pago por empresas privadas, incluindo de acordo com a sigla, o Banco Master, que é investigado pela própria PF.

Uma das denúncias foi enviada ao Ministério Público Federal no Distrito Federal, pedindo apuração por possível improbidade administrativa. A outra foi encaminhada à Comissão de Ética da Presidência, apontando possível conflito de interesses.

Ambas foram assinadas pelo desembargador aposentado Sebastião Coelho, que também é pré-candidato ao Senado pelo Novo no DF.

Segundo os documentos, o caso envolve a presença de Rodrigues no “1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias”, realizado entre 24 e 26 de abril de 2024, em Londres. De acordo com reportagens, despesas como hotel, alimentação e transporte foram pagas por organizadores privados, entre eles o Banco Master.

A própria PF confirmou ao partido Novo, em resposta via Lei de Acesso à Informação, que não houve pagamento de diárias ao diretor-geral, justamente porque os custos foram arcados por terceiros. O órgão também declarou não ter conhecimento sobre os valores totais desembolsados pelos organizadores, o que, segundo a representação, evidencia ausência de controle administrativo sobre os benefícios recebidos.

O episódio ficou marcado na imprensa nacional pela participação de Rodrigues em um evento privado com custo elevado, incluindo uma degustação de whisky premium financiada pelo controlador do banco Master. Indicativos revelam que a hospedagem ocorreu em hotel de alto padrão, com diárias estimadas em cerca de R$ 6 mil.

Para o Novo, o ponto central é a relação entre o agente público e o financiador da viagem. O Banco Master, responsável pelo custeio das despesas, é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de fraude financeira, o que, na avaliação do partido, configura uma situação de potencial conflito de interesses.

“O Brasil não pode conviver com zonas cinzentas quando se trata da atuação de autoridades públicas. A confiança nas instituições depende de regras claras e do seu cumprimento rigoroso. Se isso for tratado com normalidade, abre-se um precedente perigosíssimo: o de que autoridades podem se relacionar com investigados sem qualquer consequência”, destacou Eduardo Ribeiro, presidente do Novo.

Na representação ao MPF, o Novo sustenta que o recebimento de benefícios de alto valor econômico, pagos por ente privado com interesse na atuação da autoridade pública, pode caracterizar violação à Lei de Conflito de Interesses e à Lei de Improbidade Administrativa. O documento pede a abertura de investigação e eventual responsabilização do diretor-geral.

Já no pedido apresentado à Comissão de Ética Pública da Presidência da República, o partido argumenta que a conduta pode ter violado normas que regulam o recebimento de hospitalidades por agentes públicos, especialmente pela ausência de transparência sobre autorização prévia e pela magnitude dos benefícios recebidos.

As duas representações também solicitam a apuração detalhada dos valores envolvidos e a verificação de eventuais vantagens adicionais concedidas ao diretor-geral.

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