Filiação ao Avante escancara distanciamento de Wilson Lima e reaproximação com antigos rivais na disputa para vaga de deputado federal.
Em uma movimentação que mistura cálculo eleitoral e pragmatismo político, Coronel Alfredo Menezes oficializou, na noite de quinta-feira (2), sua filiação ao Avante. O movimento, articulado diretamente pelo prefeito Renato Júnior, confirma que o ex-superintendente da Suframa disputará uma vaga na Câmara Federal e, redesenha alianças no tabuleiro político do Amazonas.
A mudança chama atenção não apenas pela rapidez, mas pela contradição: horas antes da filiação, Menezes havia sido anunciado como integrante da chapa da federação União Progressista durante evento liderado pelo governador Wilson Lima. Curiosamente ou estrategicamente, não apareceu no encontro.
O episódio expõe mais do que uma simples troca partidária. Revela o distanciamento de Menezes do grupo político de Wilson Lima e evidencia como alianças, no cenário local, seguem sendo moldadas menos por ideologia e mais por conveniência eleitoral.
A ida para o Avante também simboliza uma reaproximação com David Almeida, figura com quem Menezes protagonizou embates públicos desde 2022. A relação, antes próxima, azedou em meio a disputas eleitorais especialmente na última corrida pela Prefeitura de Manaus, quando Menezes foi vice na chapa de Roberto Cidade, adversário direto de Almeida.
Na ocasião, a aliança entre Menezes e Cidade não prosperou nas urnas e tampouco se manteve sólida fora delas. O desgaste entre os dois abriu espaço para o atual rearranjo político, agora conduzido por Renato Júnior, que tem assumido protagonismo nas articulações do Avante.
Se por um lado a nova filiação encerra antigas desavenças, por outro escancara uma prática recorrente: adversários de ontem se tornam aliados de hoje sem maiores explicações ao eleitor. O discurso muda, mas o objetivo permanece o mesmo, garantir espaço e viabilidade eleitoral.
Com o prazo de filiação partidária se encerrando em 4 de abril, a tendência é de mais movimentos bruscos como este. No Amazonas, o feriado pode até ser prolongado, mas nos bastidores da política, o ritmo segue acelerado e, como de costume, pouco previsível.
No fim das contas, a “reviravolta” de Menezes não chega a surpreender. Apenas reforça uma máxima já conhecida do eleitor: na política local, coerência costuma ser menos valorizada do que oportunidade.