Ex-aliado de Bolsonaro evita novo compromisso com o ex-presidente e enfrenta desconfiança no PT, gerando desgaste dos dois lados.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro para discutir um possível rearranjo político no Piauí e sinalizou a disposição do Progressistas de adotar uma postura de neutralidade na eleição presidencial, movimento que amplia o distanciamento do campo bolsonarista e gera reações simultâneas entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e setores do governo federal.
O encontro ocorreu em 23 de dezembro, na Granja do Torto, sem registro na agenda oficial da Presidência, e contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo.
Segundo interlocutores, a iniciativa partiu do próprio Ciro Nogueira, que enfrenta dificuldades para viabilizar sua reeleição ao Senado pelo Piauí, estado governado pelo PT e que terá duas vagas em disputa em outubro.
6 – 11h00
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(Foto: Ton Molina /STF e Jefferson Rudy /Agência Senado)
Manaus (AM) – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro para discutir um possível rearranjo político no Piauí e sinalizou a disposição do Progressistas de adotar uma postura de neutralidade na eleição presidencial, movimento que amplia o distanciamento do campo bolsonarista e gera reações simultâneas entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e setores do governo federal.
O encontro ocorreu em 23 de dezembro, na Granja do Torto, sem registro na agenda oficial da Presidência, e contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo.
Segundo interlocutores, a iniciativa partiu do próprio Ciro Nogueira, que enfrenta dificuldades para viabilizar sua reeleição ao Senado pelo Piauí, estado governado pelo PT e que terá duas vagas em disputa em outubro.
Durante a conversa, o senador teria apresentado a proposta de que o PT concentrasse apoio em apenas um nome ao Senado no estado, o do senador Marcelo Castro (MDB), enquanto o PP não formalizaria apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome indicado pelo bolsonarismo.
O aceno ao Planalto, no entanto, não foi acompanhado de um gesto equivalente em direção ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem Ciro Nogueira manteve estreita vinculação política nos últimos anos.
Enquanto sinaliza disposição para colaborar com o atual governo, o senador evita assumir compromisso público com o bolsonarismo, postura que tem provocado reações imediatas.
A atitude do parlamentar gerou críticas nas redes sociais, por parlamentares considerados do núcleo bolsonarista, para eles o líder da federação União Progressista estaria promovendo traição, com afirmações de estar utilizando o capital político acumulado durante o governo Bolsonaro como moeda de negociação com o Palácio do Planalto.
No campo governista, a movimentação tampouco é recebida sem ressalvas. Setores da esquerda demonstram ceticismo em relação à entrada de Nogueira na órbita do governo Lula, citando episódios do passado recente e mencionando as repercussões ainda associadas ao chamado caso Master, frequentemente lembrado por críticos internos como fator de desconfiança.
Participantes do encontro relataram que a conversa ocorreu em clima cordial. Assessores próximos a Lula afirmam que o presidente recebeu a proposta com disposição ao diálogo e mantém relação pessoal antiga com o senador.
Durante a reunião, Ciro Nogueira destacou sua proximidade com Hugo Motta e lembrou ter reconhecido publicamente a vitória de Lula em 2022, apesar de ter permanecido no governo Jair Bolsonaro até o fim do mandato.
Após a reunião, Ciro Nogueira negou publicamente ter se encontrado com o presidente Lula, alegando preocupação com vazamentos e possíveis repercussões políticas. Ainda assim, interlocutores afirmam que ele tem intensificado contatos com lideranças nacionais e regionais para fortalecer sua campanha.
A reaproximação encontra resistência no PT do Piauí. O governador Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias não teriam sido informados sobre as negociações e tendem a se opor a qualquer acordo. O presidente estadual do partido, Fábio Novo, defendeu cautela e lembrou apoios anteriores ao senador.
No plano nacional, dirigentes petistas avaliam que mudanças no arranjo estadual podem afetar alianças já firmadas, especialmente com o PSD, que tem Júlio César como pré-candidato ao Senado. Ainda assim, Ciro Nogueira mantém influência entre prefeitos de diferentes partidos, inclusive do PT, em um estado onde o apoio de Lula é considerado decisivo.
Eleito senador em 2018 com apoio do PT e do próprio Lula, Nogueira passou a integrar o governo Jair Bolsonaro em 2021, quando assumiu a Casa Civil e conduziu o PP ao alinhamento com o então presidente, posição mantida após a derrota eleitoral de 2022.
Atualmente, com a indefinição do campo conservador para a próxima eleição presidencial, o PP avalia liberar seus filiados para escolherem livremente um candidato, refletindo divisões internas e a tentativa de reposicionamento de sua principal liderança nacional.
