O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (5), que tem como preocupação o fortalecimento da democracia na Venezuela e “melhorar a vida do povo” no país vizinho. As declarações ocorreram em entrevista ao UOL News, ao comentar a sua viagem a Washington prevista para a primeira semana de março, para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Questionado se há algo a ser feito em favor do retorno de Nicolás Maduro e sua esposa para a Venezuela, Lula respondeu: “Essa não é a preocupação principal. A preocupação principal é a seguinte. Há possibilidade da gente fortalecer a democracia na Venezuela? (Há condições de) E o povo da Venezuela, 8 milhões e 400 mil de pessoas que estão fora voltarem para a Venezuela?”
O presidente acrescentou: “Há condições de fazer com que a democracia seja efetivamente respeitada na Venezuela e o povo possa participar ativamente? O que está em jogo é se a gente vai melhorar a vida do povo ou não. O que está em jogo é se a gente vai gerar empregos ou não. O que está em jogo é se a PDVSA vai voltar a produzir três milhões e setecentos barris de petróleo por dia”, disse referindo-se à petroleira estatal venezuelana.
Conselho de paz
Lula revelou que disse ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil participará do ‘Conselho de Paz’ criado pelo republicano se o objetivo do colegiado for se voltar para a questão da Faixa de Gaza.
“Eu disse ao presidente Trump que, se o Conselho for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo o interesse de participar. Agora, é muito estranho que você crie um conselho e você não tenha um palestino na direção desse conselho”, declarou o presidente.
Terras raras
O presidente afirmou que deve viajar a Washington na primeira semana de março para ter uma conversa “olho no olho” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O chefe do Poder Executivo brasileiro disse que está “livre” para discutir parcerias na exploração de minerais críticos e terras raras, mas que se recusará a debater a soberania nacional.
“Eu tenho dito para ele o seguinte. Nós somos dois seres humanos com mais de 80 anos de idade. Aliás, ele vai fazer 80 anos em 14 de junho ou de julho. Sabe, nós somos presidentes das duas maiores democracias do Ocidente”, afirmou Lula. “A gente não pode ficar conversando por Twitter. Nós temos que sentar numa mesa, olhar um no olho do outro, ver quais são os problemas que afligem ele, quais são os que me afligem”, disse.
Lula continuou: “E vamos trabalhar juntos, vamos estabelecer acordos em que a gente possa trabalhar junto. O que eu disse? É que não tem tema proibido para discutir. A única coisa que eu não discuto é a soberania do meu país. Essa é sagrada”. Na sequência, o presidente mencionou os assuntos que podem ser tratados no encontro. “Mas discutir parcerias de indústrias, parcerias na exploração de minérios, de minerais críticos, de terras raras, discutir investimentos, discutir aumento de exportação, tudo isso, nós somos livres para discutir”, declarou.