Durante sessão na Câmara Municipal, o vereador Zé Ricardo (PT) não poupou críticas à propaganda da Prefeitura de Manaus sobre o “primeiro aterro sanitário municipal da Região Norte”. Para ele, a gestão David Almeida tenta vender como novidade algo que, na prática, é apenas a continuação do velho problema do lixo da cidade.
“Não sei se é o primeiro. O que temos hoje é aquela montanha de resíduos que começou ainda no tempo do Serafim Corrêa. Na época, ele tentou transformar o lixão em aterro controlado, mas nunca chegou a ser um verdadeiro aterro sanitário. A água subterrânea daquela área está poluída até hoje”, afirmou o parlamentar.
O novo aterro, localizado no km 19 da AM-010, deve entrar em funcionamento em 2026 e promete ter vida útil de 20 anos. Mas o que o vereador questiona é a falta de uma política séria de gestão de resíduos sólidos.
“Achei que fariam o aterro em outro local, mas será praticamente ao lado do atual. Chamar isso de primeiro aterro é ironia. É só mais do mesmo. Falta política de coleta seletiva, de reciclagem, de aproveitamento dos resíduos. O problema é ambiental, mas também econômico — e a Prefeitura finge não ver”, disparou.
As críticas ganham peso diante dos alertas de especialistas. A engenheira florestal Fabiana Rocha, em entrevista recente ao podcast Na Mira de Anynha, destacou que o atual aterro já opera no limite há anos.
“Ele deveria ter até 100 metros, mas já passa dos 160. Se houver algum rompimento, teremos uma tragédia ambiental em Manaus”, advertiu.
Enquanto o prefeito David Almeida se apressa em divulgar placas e slogans de “primeiro aterro da Região Norte”, o que se vê é mais marketing do que gestão. A capital amazonense produz cerca de 1 milhão de toneladas de lixo por ano, e o que falta não é propaganda — é planejamento, transparência e respeito ao meio ambiente.
Aterro novo? Só no discurso. O problema do lixo em Manaus continua o mesmo: enterrado sob promessas.