Mais uma cena lamentável na Câmara Municipal de Manaus. Durante a votação da reforma da Previdência, os vereadores optaram por levantar as mãos, como nos tempos em que não havia tecnologia, mesmo possuindo um painel eletrônico de R$ 630 mil, pago com dinheiro público e praticamente esquecido.
A justificativa do presidente da Casa, de que o sistema só seria usado “em caso de dúvida”, soa no mínimo como um desrespeito à transparência e ao dinheiro do contribuinte. Se há tecnologia disponível e bancada com verba pública, por que não utilizá-la?
O vereador Rodrigo Guedes (PP) chegou a protestar, levando o Regimento Interno em mãos e sugerindo que o documento fosse “rasgado”, já que a Mesa Diretora insiste em ignorá-lo. E ele tem razão, o texto é claro: o processo de votação deve ser eletrônico, salvo em casos de impossibilidade técnica, o que não foi o caso.
Até mesmo parlamentares recém-chegados, como Amauri Gomes (UB), mostraram mais consciência democrática que muitos veteranos, defendendo o uso do painel e criticando o atropelo das regras.
O que se viu foi mais uma sessão marcada por improviso, falta de transparência e resistência à modernidade. Se o painel de votação foi comprado com dinheiro público, o mínimo que se espera é que seja usado e não escondido.