Preso na CPI do INSS repassou dinheiro para Silas Câmara e familiares
Preso durante audiência da CPMI do INSS, o presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira, é acusado de repassar valores ao deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) e seus familiares.
Abraão Lincoln foi detido por mentir durante o depoimento à comissão. Ele firmou, em 2022, um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS, durante o governo Bolsonaro, sem ter nenhum associado. Pouco tempo depois, a entidade já contava com 619 mil filiados e o grupo desviou R$ 219 milhões de aposentados.
Durante o interrogatório, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), detalhou transferências da CBPA para as empresas Network e Conektah Estratégias, que somaram quase R$ 2,3 milhões. Parte desse dinheiro teria sido repassada à Fundação Boas Novas, ligada ao pastor Jonatas Câmara, irmão de Silas, e também a familiares diretos do deputado entre eles, a filha Milena Câmara, o filho Heber Tavares Câmara e o próprio Silas Câmara, que teria recebido R$ 9 mil diretamente em conta.
Questionado, Abraão Lincoln preferiu permanecer em silêncio. O relator confirmou que os dados foram obtidos após a quebra de sigilo da CBPA, e afirmou que as investigações vão continuar para descobrir o motivo dos repasses.
Título de cidadão pode ser revogado
O presidente da Fepesca-AM, Walzenir Falcão, anunciou que enviará ofício à ALE-AM pedindo a revogação do título de Cidadão do Amazonas concedido a Abraão Lincoln, honraria sugerida pelo deputado Sinésio Campos (PT), que agora também defende a revogação imediata diante das denúncias.