Mais uma decisão polêmica da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Manaus (CMM) acende o alerta sobre a transparência e a participação popular no parlamento municipal. O Projeto de Resolução nº 020/2025, apresentado nesta terça-feira (11), propõe permitir sessões plenárias virtuais ou híbridas em casos de “situação excepcional”.
A justificativa oficial fala em “modernizar o regimento interno” e “garantir eficiência e transparência”. Mas, na prática, o projeto abre brecha para que vereadores deixem de aparecer na Casa do Povo e votem de casa, longe do olhar crítico da população — justamente em um momento de insatisfação crescente com a gestão pública.
O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) foi direto ao ponto e classificou a proposta como “imoral”, lembrando que a medida surge logo após manifestações de professores e servidores públicos na sede da Câmara.
“Será coincidência que agora querem votar de forma virtual? Ou querem se esconder do povo?”, questionou Guedes.
As críticas também vieram de Amauri Gomes (União Brasil) e Coronel Rosses (PL), que alertou para o contexto político do projeto:
“Isso é uma armadilha! Estamos às vésperas de 2026 e muitos aqui vão disputar eleição. Querem evitar exposição e confronto com a sociedade”, disparou.
Até o petista Zé Ricardo (PT), adversário histórico da base do prefeito, concordou que a proposta representa retrocesso:
“Durante a pandemia, até se justificava. Agora, não há motivo algum para esvaziar o plenário. A Câmara é o espaço do povo, não uma sala de videoconferência.”
O projeto, relatado por Eduardo Alfaia (Avante), recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), mas teve sua votação suspensa após pedido de vista de três vereadores.
🔴 Opinião Portal Cunha:
Chamar essa proposta de “modernização” é um insulto à inteligência do manauara. Sessão virtual em tempos normais é esconderijo de quem não quer ser cobrado. O plenário da CMM não é escritório remoto. É lá que o povo deve ver quem trabalha — e quem foge do debate.