O deputado federal Saullo Vianna (MDB) disse nesta quinta-feira (12), em entrevista ao G6, grupo de sites de notícias do qual o ATUAL faz parte, que na eleição deste ano pretende adotar a “boa política” evitando romper “pontes” construídas com aliados, como o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e o senador Omar Aziz (PSD), que romperam aliança e devem ser adversários na disputa pelo governo do estado.
“Eu faço a boa política. A política da construção, do respeito e da entrega”, disse Saullo. “Eu particularmente vou seguir obviamente a orientação partidária, mas não vou nem por isso deixar de ter as minhas relações de amizades por conta da eleição”, completou o parlamentar, que é ex-secretário municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania.
Na entrevista, Saullo também disse que não irá embarcar na polarização entre Lula e Bolsonaro, elogiou o prefeito, mas reconheceu falhas, e revelou porque se afastou do governador Wilson Lima. O deputado falou ainda sobre o contraste entre o número de empregados e de dependentes de programas sociais na capital, criticou salários no PIM (Polo Industrial de Manaus) e defendeu a emenda parlamentar como instrumento de políticas públicas.
No início deste mês, Saullo deixou o União Brasil, presidido pelo governador Wilson Lima, para se filiar ao MDB, comandado pelo senador Eduardo Braga. O deputado também deixou o cargo de secretário que ocupava desde janeiro de 2025.
Ao ser questionado sobre as mudanças na carreira política, Saullo disse que até ano passado o grupo político do qual ele faz parte era composto por David e Omar. Ambos estiveram juntos em diversos eventos, inclusive declarando aliança política, mas a relação começou a desgastar no segundo semestre.
Em fevereiro deste ano, David anunciou renúncia ao cargo de prefeito para disputar o de governador, e associou Omar a uma operação que prendeu a ex-chefe de gabinete dele, Anabela Cardoso. Para Saullo, esse rompimento entre o prefeito e o senador foi causado por divergência de interesses.
“Chegou o ano da eleição e os interesses que antes convergiam hoje divergem. O Omar já tinha uma candidatura posta ao governo e o David resolveu também lançar a sua candidatura ao governo. E esses dois atores se separaram”, disse Saullo.
O deputado disse que sempre defendeu a união do grupo, mas que isso não depende apenas dele. Saullo disse ainda que não pretende “destruir amizades” com os aliados.
“Eu advogo e sempre advoguei para que o grupo permanecesse unido mais uma vez na eleição de 2026. Infelizmente, isso não depende apenas de mim. Hoje, a gente não vai ter esses dois atores caminhando junto, mas eu também tenho entendimento de que independente de qual lado eu e meu partido esteja, eu não vou destruir amizades, e não vou quebrar pontes”, disse Saullo.
Eleições 2026
Apesar de afirmar que a decisão sobre o apoio ao governo caberá ao MDB, Saullo Vianna disse que o presidente da sigla, Eduardo Braga, que também vive o mesmo dilema, sinalizou que deve acompanhar o senador Omar Aziz. Ele também explicou que as aparições públicas com David foram compromissos institucionais, não políticos.
“Eu, independente do lado que esteja, seja do lado do Omar, que é o nosso amigo, nosso senador, nosso candidato a governador… O Eduardo já fala no apoio ao Omar, a gente já fez várias agendas juntas tanto na capital como no interior — agendas políticas, porque o que eu fiz com o David até então foram agendas institucionais da prefeitura aqui na cidade de Manaus”, disse Saullo.
O deputado afirmou que a “construção política” que inclui Omar na disputa para o governo “não é de agora” e, inclusive, já teve a participação do prefeito. “Essa construção política do que a gente trabalha para o futuro do Amazonas a gente já trabalha há algum tempo. O próprio David fez parte dessa construção em 2024 e 2025. Por várias vezes ele firmou o compromisso de apoio ao Omar”, disse Saullo.
“Isso depois mudou por conta de posicionamentos e de alguns fatos que levaram o David a tomar essa decisão. Então, essa construção não é de agora, vem de algum tempo. A candidatura do David surgiu depois de essa articulação já estar praticamente feita e consolidada”, completou o deputado, que afirmou que mudanças no tabuleiro político são naturais.
Saullo também disse que não acredita na candidatura do vice-governador Tadeu de Souza ao Governo do Amazonas. Para o deputado, a candidatura só seria viável se Wilson renunciasse ao cargo para disputar o cargo de senador.
“Ela [candidatura] naturalmente existiria se o Wilson renunciasse ao cargo para ser candidato ao senado e o Tadeu, na cadeira de governador, teria a legitimidade de poder ser candidato a reeleição. No cenário de hoje, que o Wilson anunciou que vai terminar o mandato, e não é candidato ao senado. Hoje, particularmente, não acredito na candidatura do Tadeu. Acredito que o quadro hoje são essas três candidaturas: Omar, David e Maria do Carmo”, disse Saullo.
David
Saullo disse que o cargo na Semasc o permitiu estar mais próximo do cidadão na capital amazonense, com realização de trabalhos que beneficiaram milhares de pessoas, como o Manaus Cidadã, que leva serviços sociais e de cidadania para os bairros de Manaus; o Mãe Manauara, que atende estantes em situação de vulnerabilidade social; e o Prato do Povo, que oferece refeições para este público.
“Eu nunca tinha tido experiencia no Executivo, só na Assembleia Legislativa do Amazonas, e achei que seria uma ótima oportunidade de poder estar no executivo e fazer um trabalho diferente do legislativo”, disse Vianna.
Ao ser questionado sobre a gestão de David Almeida, Saullo disse que o prefeito “tem muita vontade de trabalhar pela cidade”, que “está constantemente na rua” e que implementou inovações em várias áreas da gestão. “Mas também, naturalmente, como todo gestor, também tem seus erros e suas falhas. Mas o importante é o seguinte: que os gestores sempre busque trabalhar, tentar fazer o melhor pelas pessoas”, disse Saullo.
Ao reconhecer os feitos da gestão de David, o deputado mencionou o programa Prato do Povo, que era desenvolvido pela secretaria que ele comandava. “O David tem muitas realizações para com a cidade de Manaus, muitas entregas, que são relevantes, como o Prato do Povo, que é o maior programa de segurança alimentar. Tem naturalmente as falhas, mas trabalha todos os dias para corrigir”, disse Saullo.
Relação com o governador
Sobre a relação com o governador Wilson Lima, Saullo disse que o afastamento ocorreu porque o governador não cumpriu acordo que havia feito com David para a eleição de 2024. Ele disse que, por “más influências”, Wilson “escolheu um caminho diferente” de 2022, em que ambos caminharam juntos.
“O grupo [David, Wilson, eu e outros] estava todo junto em 2022. Em 2024, o Wilson foi convencido a ter outra candidatura diferente do que tinha sido combinado em 2022. Ele lançou outro candidato. E o que eu fiz? Eu não mudei de lado, eu permanecei do lado que estava. O que nós tínhamos em forma de grupo acertado é que o David apoiaria o Wilson em 2022 e o Wilson retribuiria o apoio em 2024, o que da parte dele não aconteceu, e da minha se manteve”, disse Saullo.
Ao avaliar o segundo mandato de Wilson, Saullo deu nota regular: 5 de 10. Ele reconheceu que o primeiro mandato foi “muito turbulento”, com enfrentamento das consequências da pandemia de Covid-19 e processo de impeachment que ele sofreu na Assembleia Legislativa do Amazonas.
Para Saullo, o governador “ganhou experiência”, conseguiu uma relação harmoniosa com os deputados estaduais, e poderia “ter sido muito melhor se ele tivesse construído pontes” a nível federal.
“Na minha opinião, vejo poucas entregas que vão deixar legado para o estado, tanto em infraestrutura, saúde, educação e segurança pública. Se fosse dar uma nota de 0 a 10, o segundo mandato seria nota 5. Acho que poderia ter sido um mandato melhor pela experiência que ganhou no primeiro mandato, mas que por conta de más influências ele patinou no segundo mandato, que poderia ter sido melhor”, disse Saullo.
Chapa forte
Saullo falou sobre a construção de uma chapa forte para disputar as vagas na Câmara dos Deputados. No início deste mês, além de Saullo, se filiaram ao MDB o deputado federal Adail Filho, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto, o ex-prefeito do Careiro Nathan Macena e a liderança indígena Vanda Witoto.
“Para ter uma chapa competitiva, é preciso reunir o maior número possível de candidatos que vislumbrem — e que de fato tenham — possibilidade de se eleger. Quando você tem uma chapa equilibrada dessa forma, com quatro ou cinco candidatos fortes, todos, especialmente no período eleitoral, vão trabalhar e se desdobrar para conquistar votos e alcançar a própria eleição”, disse Saullo.
“Quando você tem chapa desequilibrada, quando tem um ou dois que disputam a eleição, no momento da eleição, os outros candidatos desmobilizam”, completou.
A princípio, o MDB terá seis candidatos e três candidatas competitivos(as) para tentar conseguir eleger o maior número de deputados federais possíveis.
Saullo também comentou sobre os candidatos que se tornam “fenômenos” eleitorais, com votações expressivas, como Amom Mandel (Cidadania) em 2022 e José Ricardo (PT) em 2018. Neste ano, segundo o deputado, o vereador de Manaus Sargento Salazar (PL) deve ocupar esse espaço.
Para Saullo, porém, a vaga do candidato mais votado costuma ser renovada a cada eleição. As demais, segundo ele, tendem a ser preenchidas por quem “de fato tem trabalho, entrega e o que mostrar”. “Essa cadeira [de mais votado] é cativa de um candidato. Sempre vai haver essa cadeira ocupada por alguém que representa a novidade da eleição”, disse Saullo.
Lula
Sobre estar no palanque do presidente Lula no Amazonas, Saullo disse que não vai embarcar na polarização “direita x esquerda” por considerar que a questão é irrelevante para resolver problemas crônicos do país. Ele afirmou que, nas duas últimas eleições em que foi eleito, trabalhou de forma independente e que pretende discutir “benefícios práticos e concretos” para a população.
“Eu não tenho essa questão de Lula ou de Bolsonaro. Eu particularmente entendo que essa discussão é muito vazia. A última pesquisa mostrou o país mais uma vez polarizado. Mais uma vez vamos para uma eleição em que não vai ter debate de ideias, que a gente não vai ter o debate de que forma o candidato vai trabalhar para melhorar a vida das pessoas, diminuir a fome no país, aumentar a atividade econômica, aumentar geração de emprego”, disse Vianna.
Com informações de Amazonas Atual