Documentos da Abin podem esclarecer se o estado ignorou alertas sobre o iminente colapso que deixou dezenas de mortos por asfixia em 2021.
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com um mandado de segurança na Justiça Federal do Amazonas para obrigar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) a entregar documentos que teriam antecipado o risco de colapso no sistema de saúde do estado meses antes da crise de oxigênio de janeiro de 2021.
Os relatórios são considerados essenciais para esclarecer que autoridades foram informadas sobre o risco iminente e como reagiram, especialmente o governo do Amazonas, cuja atuação continua sob questionamentos quatro anos após a tragédia.
(Foto: Tiago Corrêa/ Secom)
Alertas Antecipados e Falta de Resposta
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Abin produziu relatórios entre março de 2020 e janeiro de 2021 alertando sobre a saturação da rede hospitalar e o perigo de escassez de oxigênio. O MPF requisitou esses documentos para verificar se os avisos chegaram ao Governo Federal, ao Governo do Amazonas e à Prefeitura de Manaus, e de que forma cada esfera de gestão se mobilizou diante das informações.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Abin produziu relatórios entre março de 2020 e janeiro de 2021 alertando sobre a saturação da rede hospitalar e o perigo de escassez de oxigênio. O MPF requisitou esses documentos para verificar se os avisos chegaram ao Governo Federal, ao Governo do Amazonas e à Prefeitura de Manaus, e de que forma cada esfera de gestão se mobilizou diante das informações.
Lacunas na Atuação do Governo do Amazonas
A eventual existência de alertas formais intensifica a pressão sobre o governo estadual, que até hoje não apresentou justificativas conclusivas sobre sua atuação antes do colapso. A falta de medidas preventivas eficazes e a ausência de um plano emergencial diante do avanço das internações continuam sendo pontos críticos, especialmente à luz de documentos que possam revelar a antecipação do risco.
Familiares de pacientes que morreram por asfixia aguardam explicações sobre a capacidade de gestão estadual e a possível omissão frente a sinais de deterioração da rede hospitalar. O cenário, segundo especialistas ouvidos em investigações públicas, aponta falhas de coordenação que precedem o colapso de janeiro de 2021.
Contexto da Tragédia: Mortes Sem Oxigênio
Nos dias 14 e 15 de janeiro de 2021, Manaus e várias cidades do interior registraram falta total ou quase total de oxigênio nos hospitais. De acordo com documentos do Ministério Público, pelo menos 31 pessoas morreram na capital por asfixia; a Defensoria Pública do Amazonas estima mais 30 mortes no interior. As unidades hospitalares já enfrentavam superlotação em meio à segunda onda da Covid-19.
Até hoje, nenhum agente público foi responsabilizado pela crise que expôs fragilidades estruturais e de gestão no estado.
O MPF afirma que a Ação Civil Pública de reparação está em fase avançada e necessita dos relatórios para quantificar os danos e estabelecer responsabilidades. A ausência dos documentos compromete a apuração completa e atrasa o direito das vítimas à memória e à verdade.
O pedido feito à Justiça exige que a direção da Abin entregue o material em até 48 horas, sob pena de multa diária.
