O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), uma das principais lideranças da bancada evangélica, participou da articulação e da assinatura de um acordo entre o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura, entidade hoje investigada por suspeita de fraudes em descontos indevidos de aposentadorias.
Após o acordo, a CBPA recebeu R$ 221 milhões do INSS entre 2023 e 2025. Investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União apontam que aposentados não autorizaram os descontos. Em auditoria, a CGU ouviu beneficiários e nenhum confirmou ter consentido com as cobranças.
O caso chegou à CPI do INSS após depoimento do presidente da CBPA. Documentos indicam que, desde 2023, a entidade repassou R$ 1,8 milhão a empresas ligadas a familiares de Silas Câmara, por contratos de divulgação, produção audiovisual, rádio e serviços digitais no Amazonas.
Procurado, o deputado não se manifestou. Em resposta à CPI, a defesa afirmou que não há irregularidades e que vínculos familiares, por si só, não configuram ilícito. A CBPA também contratou uma filha do parlamentar para atuar no setor jurídico.