Articulação envolvendo Dan Câmara evidencia influência religiosa e possível choque interno por vagas na Aleam.
A dança das cadeiras na política amazonense ganhou mais um capítulo que escancara práticas antigas com nova embalagem. O deputado estadual Dan Câmara anunciou sua saída do Podemos e já ensaia pouso no Republicanos, partido que, não por coincidência, é presidido no Amazonas por seu próprio irmão, o deputado federal Silas Câmara, também pastor influente da Assembleia de Deus.
A movimentação, revelada em uma reunião com lideranças evangélicas no tradicional espaço Canaã, ligado à igreja, expõe mais do que uma simples troca partidária: evidencia o entrelaçamento cada vez menos disfarçado entre fé, poder e interesses familiares. Não se trata apenas de estratégia eleitoral é, sobretudo, um jogo de controle político travestido de articulação religiosa.
Nos bastidores, a chegada de Dan ao Republicanos já é vista como uma jogada que pode implodir o equilíbrio interno da legenda. O principal atingido seria o deputado estadual João Luiz, ligado à Igreja Universal, que corre o risco de se tornar peça descartável dentro de um partido que, ao que tudo indica, só tem espaço para um eleito na próxima legislatura.
A questão que se impõe é: trata-se de uma disputa democrática ou de uma reorganização de poder baseada em vínculos familiares e influência religiosa? A possível “fritura” de João Luiz sugere que, dentro desse jogo, a fé pode até ser o discurso, mas o cálculo político é frio e implacável.
Especialistas apontam que o Republicanos dificilmente elegerá mais de um deputado estadual, o que transforma a filiação de Dan Câmara em uma aposta de alto risco, especialmente para quem já está no partido. Em outras palavras, alguém terá que sair derrotado, e a disputa não será necessariamente decidida apenas nas urnas, mas nos bastidores de acordos e estruturas de influência.
No fim, o episódio reforça uma velha prática da política brasileira: partidos como extensões de projetos pessoais e familiares, onde ideologia dá lugar à conveniência e o eleitor acaba sendo mero espectador de decisões tomadas longe do debate público.
Se havia alguma dúvida de que religião, parentesco e política seguem operando como forças indissociáveis no Amazonas, ela acaba de ser dissipada, com direito a roteiro previsível e final ainda indefinido, mas certamente pouco republicano.
Com informações de Amazonas1