Ministro afirmou em nota que jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior
Um relatório da Polícia Federal aponta a suspeita de que o ministro do STF Dias Toffoli seja o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen. O fundo teria recebido R$35 milhões do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo o documento, o valor teria sido transferido às Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe, por meio da holding Egide I.
O gabinete de Toffoli afirmou que o relatório já foi arquivado, com trânsito em julgado. O ministro, segundo a nota, “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e “jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas”. Toffoli também já negou amizade com Vorcaro e ter recebido valores dele.
O fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no Paraná, ligado à família do ministro. O fundo pertencia a Vorcaro, depois passou a um empresário amigo de Toffoli e, meses depois, transferiu ativos para o Caribe.
O relatório da PF afirma que “diversos elementos de informação”, analisados em conjunto, indicam que Toffoli “possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”.
Toffoli é sócio da empresa Maridt, que tinha participação em resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte dessas cotas a fundos nos quais figura Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O gabinete do ministro disse que a venda ao Fundo Arleen ocorreu em 2021, que não houve outras negociações depois e que os valores “jamais totalizaram 35 milhões”. Toda a movimentação, segundo a nota, foi declarada à Receita Federal e à Junta Comercial.
Mensagens de WhatsApp de 2024 entre Vorcaro e Zettel tratam dos aportes ao Tayayá. Em um dos diálogos, Zettel afirma: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. Vorcaro cobrou o destino do dinheiro e relatou ter tido “um puta problema” com a operação.