A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Amazonas mais uma vez levanta um questionamento que ecoa entre os amazonenses: por que a BR-319 continua sendo vista apenas pela janela de um helicóptero?
Enquanto milhares de trabalhadores, caminhoneiros, produtores rurais e famílias enfrentam diariamente atoleiros, isolamento e abandono na rodovia que liga Manaus ao restante do país, o presidente vem ao estado apenas para sobrevoar a estrada, sem sentir na pele o sofrimento de quem depende dela para viver.
A imagem é simbólica: de um lado, autoridades observando tudo do alto, longe da lama e do caos; do outro, o povo amazonense atolado, literalmente, tentando sobreviver em uma das regiões mais esquecidas do Brasil.
A realidade é dura. Em pleno 2026, o Amazonas ainda implora por uma BR trafegável. O estado mais estratégico da Amazônia segue isolado por terra, prejudicando o custo de vida, o abastecimento, a geração de emprego e o desenvolvimento econômico da região.
O mais revoltante é que Lula parece lembrar que o Amazonas existe apenas em períodos eleitorais. Enquanto isso, o presidente e a primeira-dama Janja acumulam viagens internacionais, passando por hotéis luxuosos e agendas pelo mundo, enquanto o povo amazonense luta pelo básico: o direito de ir e vir.
O amazonense não quer discurso bonito nem sobrevoo turístico. Quer solução. Quer respeito. Quer uma BR-319 digna.
Porque olhar os problemas de cima é fácil. Difícil é ter coragem de entrar na lama junto com o povo e resolver de verdade.